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[Campinas - SP] Nada poderia marcar tanto o contraste diário das grandes cidades do que o que aconteceu, na sexta, 17, no Largo do Rosário, em Campinas. Enquanto estudantes de medicina faziam um ato público em desagravo contra a privatização da saúde, próximo dali, não mais do que 100m, um grupo de jovens adventistas voluntários doava sangue, materializando a esperança que tem contagiado a cidade no mês de seu aniversário. O que para os universitários ficou restrito à manifestação, para os doadores representou a possibilidade real de salvar três pessoas com cada bolsa coletada. A iniciativa ajudou a manter o estoque do banco de sangue do Hemocentro da Unicamp (Hemocamp).
Durante toda a manhã, entre pessoas da comunidade e o grupo de jovens voluntários, 60 pessoas foram cadastradas. Das 38 que efetivamente doaram sangue, a metade foi da juventude adventista. Isso acontece porque, segundo o Hemocamp, nem todos reúnem condições para a doação por alguma restrição de saúde ou mesmo psicológica.
A mobilização voluntária dos jovens que estão presenteando Campinas, entre outras iniciativas, com 250 mil exemplares do livro Sinais de Esperança, alterou a paisagem urbana do local. Jovens como Éverton Valentim, 21 anos, e Cícero de Lima, 30 anos, empolgados com o trabalho, os dois estenderam o braço para doar vida e entregaram materiais contra o abuso infantil a quem cruzava pelas imediações.
Para o líder da Igreja Adventista em Campinas e região, pastor Oliveiros Ferreira, o projeto consolida um dos mais importantes papéis de uma igreja. “O evangelho é ajudar a pessoa em suas necessidades. A Igreja Adventista não tem uma visão de pregação unicamente religiosa, para nós a religião é ampla. A Bíblia define Jesus como aquele que ensinava, pregava e curava, ou seja, que assistia às pessoas nas suas necessidades”, afirmou. Já o pastor Alceu de Assis Filho, líder de jovens, destacou a atitude concreta da juventude. “Os jovens materializaram esperança, estendendo o braço. Foram anjos de esperança na realidade”, observou.
As atendentes e a médica responsável pela coleta externa do Hemocamp também sentiram a diferença. “A doação externa do Hemocentro ocorre já há bastante tempo. Aqui, a gente consegue um posto importante de captação de coleta de doadores, tendo em média 30 a 40 bolsas em cada. Isso contribui para manter o nosso estoque como o de todos os hospitais da região. Por isso, foi importante o apoio dos jovens adventistas”, explicou a hematologista Marina Munari Magnus. Depois de doarem sangue, os jovens encerraram sua participação recebendo um lanche do próprio hemocentro.
A doação de sangue do Largo do Rosário foi a terceira etapa do projeto “Futuro com Esperança” que presenteia Campinas com quatro iniciativas: os livros Sinais de Esperança, a Campanha do Agasalho e, por último, o “Festival de Esperança”, que acontece no ginásio do Guarani, de 18 até o próximo dia 25.
Carlos Henrique Nunes |